Regina Mitra - Hipnose e Psicologia Clínica 
Perda e Luto
Perda e Luto

PERDA E LUTO

         O primeiro passo dos AA, “Admitimos que éramos impotentes perante o álcool – que as nossas vidas tinham tornado ingovernáveis”. 

       Ter uma vida ingovernável faz com que as pessoas reconheçam que há muitas perdas neste percurso. Com estas perdas há sempre mudanças, as mudanças geram conflitos, adaptações e ajustes, e assim estamos a falar de um processo de Luto.

         Quando estamos a falar de pessoas dependentes de alguma substância psicoativas, podemos fazer uma extensa lista daquilo que estas pessoas podem colocar em risco e muitas vezes perder ao longo de sua vida de adito, por exemplo: Família, confiança e respeito por si e pelos outros, auto-estima, saúde, dias de vida, emprego, amigos e etc., além de que, quando estão em tratamento em busca de recuperação, perdem a substância.

         Quando falamos de “LUTO” agregamos a uma outra extensa lista, estamos a entrar no campo de um processo inevitável – o “MEDO”: Medo de recair (isto evita-se, não precisa acontecer), medo de ter vontade de consumir (vai acontecer sempre, vai acontecer de certeza!), medo da solidão, de não saber estar sem a substância, medo de não retomar a vida produtiva profissional, pessoal, medo de perder a família e de não reconquistar a confiança das pessoas, etc.,  e o Medo de ter Medo ( sendo esta uma defesa mas quando em demasia torna-se prejudicial).

         O medo pode causar retrocesso ou bloqueio no processo de luto, como exemplo podemos citar o medo da impotência: “ Se eu não me controlo a mim mesmo ninguém conseguirá fazê-lo.”- “Se não usar agora morro!”. Logo vai surgir sentimento de pânico e desespero que tem que desaparecer, portanto “USO”.

Assim sendo, o LUTO se processa da seguinte maneira:

         1º Negação: É normal e necessário, perante um fato qualquer que é muito doloroso – “ Não pode ser…!”, “Isto não aconteceu…!”É preciso tempo para habituar-se à ideia da perda. Mas se o problema se mantem haverá de acontecer mais perdas.

         2º Raiva - Revolta: O descontrolo e a culpa de não ter conseguido controlar-se leva ao ressentimento e este pode levar novamente ao uso. “Porque eu?; “Porque eu fiz isso?”

         3º Negociação: Quando se tenta negociar com esta doença está-se a NEGAR pois, NÃO HÁ NEGOCIAÇÃO com esta doença – “1 é muito e 1000 não chegam” – “Se eu usar só aos fins-de-semana é porque controlo, não sou impotente” – Estes exemplos mostram exactamente o impedimento de enfrentar a realidade, portanto é negação.

         4º Depressão: É um processo que por vezes acontece, pode acarretar dor, desespero, solidão, traduzindo-se por auto-piedade ou voltar a uma relação destrutiva, logo recaí no uso. “Coitadinho de mim!” – “Tenho pena de mim próprio e por ter esta doença”.

         5ª Aceitação: No caso da Aceitação o processo passa por reconhecer que admitir é diferente de aceitar. Aceita-se quando existe Fé para lidar com o medo da perda, é acordar para uma realidade e reconhecimento de si próprio. “E agora o que faço com isso?”, “Eu não devia ter feito isso, sou mesmo assim, perdi o controlo e minha vida está ingovernável”. Não se culpa os outros nem os tenta mudar, reconhecendo assim que o problema é pessoal.

 

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